Modelo de implementação de plano de
gerenciamento de resíduos no laboratório clínico
Elenice Messias do Nascimento
Gonçalves; Cleonice Bezerra dos Santos; Maria Leide de Sena Badaró; Valéria
Aparecida Faria; Evelyn Rodrigues; Maria Elizabete Mendes; Nairo Massakazu
Sumita.
INTRODUÇÃO
RSS são produtos
residuais, não utilizáveis, resultantes de atividades exercidas por
estabelecimentos prestadores de serviços de saúde. E um dos principais desafios
da sociedade tem sido implementar e aperfeiçoar sistemas que realizem a
destinação adequada dos resíduos gerados pelas diversas atividades humanas em
função da necessidade de preservação ambiental. Há diferentes entidades
regulamentando os resíduos, como ABNT, CONAMA, ANVISA e os governos estaduais e
municipais, estabelecendo normas para seu manejo. O PGRSS é um documento
integrante do processo de licenciamento ambiental, visa minimizar a produção de
resíduos, diminuindo os impactos, definindo medidas de segurança e saúde para o
trabalhador. O trabalho desenvolvido tem o objetivo de descrever o projeto de
implantação do PGRSS na Divisão de Laboratório Central do Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
OBJETIVO
O projeto tinha por
finalidade reduzir o volume de RSS e a periculosidade, promover a segregação
consciente, permitir a reutilização e /ou reciclagem e a preservação dos
recursos naturais.
MATERIAIS
E MÉTODOS
Foi constituído o comitê
de implementação e elaboração do planejamento ambiental que entre outros
objetivos inclua a implantação do PGRSS. Na fase preliminar do projeto, foram
pesquisados decretos, portarias, resoluções e normas técnicas Federal, estadual
e municipal, além de orientações e recomendações internacionais e de órgãos ligados
a saúde e ao meio ambiente. Na fase preliminar do projeto, foram pesquisados
decretos, portarias, resoluções e normas técnicas federal, estadual e
municipal, além de orientações e recomendações institucionais e de órgãos
ligados a saúde e ao meio ambiente. Foi elaborado um plano de treinamento e
estes foram realizados para colaboradores e terceiros envolvidos no manejo de
RSS. Eles focaram a conscientização, a percepção ambiental, destacando – se a
importância, as funções e os propósitos do PGRSS. Planos de ações foram
empreendidos em atendimento á normas e requisitos legais para comtemplar a
mensuração da média mensal de cada grupo de resíduo gerado, as adequações
documentais e de infraestrutura, culminando com a efetivação do PGRSS.
RESULTADOS
A análise dos diferentes
aspectos referentes ao manejo, resultantes dos diagnósticos realizados,
culminou em várias ações. Entre elas a elaboração de novas instruções de
trabalho, alterações de política do Sistema Integrado de Gestão, reestruturação
de processos, aperfeiçoamento da sistemática de comunicação do laboratório com
prestadores de serviços e partes interessadas, aproximação e maior interação da
equipe do laboratório com outras áreas do hospital, como o serviço de higiene
hospitalar. Foi elaborado o levantamento dos aspectos e impactos ambientais. Em
decorrência disso, para os aspectos mais significativos e de maior impacto
foram instalados mecanismos de controles operacionais. Houve a introdução do
Programa Mercúrio Zero, com a substituição gradativa de instrumentos e reações
contendo mercúrio. As remodelações de área física envolveram a adequação da
sala de armazenamento d resíduos temporário (SART) e a construção do deposito
de materiais de limpeza (DML). Passou-se a emitir o certificado de destruição
de resíduos, com a criação do histórico de resíduos gerados e coletados para
tratamento e disposição final. Foram implantados: quantificação e classificação
por atividades, condições de acondicionamentos e segregação no ato de geração,
fluxograma diferenciado de coleta interna, otimização das condições de
armazenamento na SART, rota de transporte da SART para o abrigo externo,
aprimoramento das especificações de coleta e transporte externos e maior
conhecimento do tratamento e disposição final dos resíduos gerados. Todos os
resíduos, no momento e local de sua geração passaram a ser separados de acordo
com suas características. As embalagens ou recipientes são padronizados e
identificados de acordo com o tipo de resíduo descartado.
DISCUSSÃO
No PGRSS há quatro pontos
importantes a serem compreendidos: as cinco categorias de resíduos (A, B, C, D,
E)(1), as seis fases do manuseio (segregação, acondicionamento, identificação,
armazenamento, transporte e destinação final), os treinamentos e o
monitoramento. A segregação eficiente contribuiu para a redução do volume de
resíduos infectantes e da incidência de acidentes ocupacionais, entre outros
benefícios à saúde pública e ao meio ambiente. Os registros relativos à
quantificação dos resíduos gerados desde a implantação do PGRSS, ou seja, de
setembro de 2008 até setembro de 2010, mostram diminuição na geração de
resíduos infectantes e perfurocortantes em 18,5% e 25%, respectivamente,
enquanto para os materiais recicláveis os resíduos comuns e os químicos houve aumento
na proporção de 17,7%, 11,2% e 1.300%, respectivamente. Esses dados confirmam
que segregação adequada está diretamente relacionada com a capacidade que todos
os funcionários têm em reconhecer e identificar os resíduos no momento de sua
geração. O tratamento preliminar dos resíduos do grupo A1, em condições de
segurança e eficácia comprovada, no local de geração, modifica as
características químicas, físicas ou biológicas destes resíduos e promove a
neutralização dos agentes nocivos à saúde humana e animal e ao ambiente. A
manipulação de elementos de comportamento químico diferenciado fez a equipe de
implantação do PGRSS trabalhar por substituição de reagentes, minimização de
estoques, armazenamento em armários corta-fogo, adequação e atualização das Fichas
de Informações de Segurança de Produto Químico (FISPQ), monitoramento do seu
manuseio em condições adequadas. Os resíduos do grupo C são descartados após a
comprovação do decaimento de sua radioatividade, cujo monitoramento é realizado
pela área armazenadora. Os materiais cujo decaimento está confirmado não são
identificados com o símbolo de radioatividade e são segregados como resíduo
infectante ou perfurocortante. O laboratório instituiu um Programa de
Reciclagem de Resíduos e realiza a coleta seletiva para a maioria dos resíduos
do grupo D, mantendo recipientes coletores em áreas internas, comuns e
externas. Os resíduos do grupo E são segregados e acondicionados de acordo com
a legislação vigente, sendo identificados pela área geradora com o símbolo
universal de “Risco Biológico” ou “Risco Químico”, permitindo seu rastreio.
Após aprimoramentos, as instalações da SART e do DML atendem aos requisitos de
dimensionamento em cumprimento às legislações vigentes. A coleta e o transporte
externos dos resíduos de serviços de saúde são realizados de acordo com as
normas existentes. As empresas coletoras têm certificação em conformidade com
as orientações do órgão de limpeza urbana. O tratamento de cada resíduo possui
uma particularidade e um nível de dificuldade que variam de acordo com a sua
complexidade e a sua composição. Para os RSSs do grupo A, os resíduos que
apresentam riscos à saúde pública e ao meio ambiente pela presença de agentes
biológicos (resíduos hospitalares) recebem tratamento por desativação eletrotérmica
(ETD). Os resíduos do grupo D são equiparados aos resíduos domiciliares e seu
tratamento envolve reciclagem ou reutilização, quando possível, nas usinas de
transformação de resíduos recicláveis em matéria-prima, ou aterros sanitários.
Foi instituído o controle operacional para retirada de resíduos perigosos pelo
serviço de zeladoria do hospital, que permite a elaboração do inventário anual
de resíduos e o seu protocolo junto à Companhia de Tecnologia de Saneamento
Ambiental (CETESB). A destinação final consiste na disposição de resíduos,
obedecendo a critérios técnicos de construção e operação no solo previamente
preparado para recebê-los e com licenciamento ambiental, sendo normalmente
feita em aterros sanitários. Este laboratório destina, em aterro classe I, os
resíduos dos grupos A, B e E. Em aterro classe II, os resíduos dos grupos B, D
e E.
CONCLUSÃO
A elaboração do PGRSS
requer um estudo dos resíduos local, específico, integrado e continuado, para
que este se torne um documento dinâmico, cuja principal característica é a
adequação à realidade do laboratório. A qualificação de recursos humanos em educação
ambiental e a valorização dos aspectos organizacionais e técnico-operacionais
do manejo de RSS, associadas à busca ativa de informações ambientais,
atualizações técnico-científicas, observações de normas regulamentadoras e
legislações, são pontos básicos para o processo contínuo de mudanças em relação
aos RSS’s. Ao final do projeto, foram estabelecidas condutas que asseguram o
controle operacional da gestão ambiental no desempenho das atividades do
laboratório dentro dos parâmetros de excelência em gestão integrada,
sustentável e com responsabilidade socioambiental.








Parabéns ! Excelente abordagem,imagem visual da pagina tbm esta de parabéns!
ResponderExcluirMuito Bom ! A utilização de imagens e esquemas foram crucias de maneira a facilitar a compreensão do conteúdo abordado.
ResponderExcluirExcelente trabalho, tudo foi abordado com muito esclarecimento e muito explicativa!
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